11 de novembro de 2011

A rampa

Quando eu entrei na UFABC o Bloco A ainda não estava terminado. Na verdade ele não o está até hoje, mas naquela época, não havia condições de ter aulas por lá ainda. 
Nas férias entre o meu primeiro e o segundo quadrimestre, fizeram a galera trabalhar dia e noite adoidado para em setembro finalmente os alunos poderem ocupar o novo bloco. Só havia um detalhe, faltava a rampa de entrada.
Por alguma razão, todos nós estávamos aflitos pelo término da rampa. Todos sabiam dizer há quantos meses ela já estava atrasada, e você ouvia os comentários sobre como tudo seria melhor quando ela estivesse pronta.
Era quase como se a rampa fosse resolver todos os nossos problemas. A rampa encurtaria distâncias, integraria os blocos, facilitaria nossa vida, criaria novas amizades, nos faria mais inteligentes. Tudo estava concentrado na rampa.
Naquele quadrimestre eu tinha aula numa sala do térreo do Bloco A e das janelas da sala dava para ver a rampa sendo construída. Toda  semana  nós chegávamos e íamos observar a evolução lenta da obra. Nos sentíamos privilegiados por poder observar de camarote aquilo que toda a comunidade UFABCniana aguardava.
Até que um dia, depois de novas férias, surpresa: a rampa estava pronta!
Eu ouvia colgas dizendo: "eu subi a rampa!!". Um deles chegou a dizer: "eu achei que algo ia acontecer quando eu chegasse lá em cima". Na verdade, eu confesso que também achei. Quando eu subi a rampa pela primeira vez eu me senti como presidente do Brasil em dia de posse. Acho que nem subir a rampa do planalto deve dar uma sensação tão boa. Eu quase conseguia ouvir os "aaaaaaahhhhhh" como trilha sonora da minha grande conquista. Podia ver a presidente vindo em receber. Podia ver fogos, balões, bailarinos. Eu me senti ótima!
Mas acredite...essa sensação passou lá pela terceira vez. Na verdade, fazendo uma análise posterior eu não faço ideia do porquê de todo aquele frenesi com a tal rampa. 
Hoje ela é a grande culpada por termos que andar o dobro do caminho, pois se não houvesse rampa, teríamos que continuar entrando no subsolo! Não vou mentir...ela ajuda bastante quando vc quer ir do bloco A para o B, o caminho ficou bem mais rápido. E ir ao bloco "C" para tomar café ou comer baguete também ficou mais fácil. 
Porém, hoje, depois de subir 7568 vezes aquela rampa não posso deixar de pensar..."aaah rampa....não aguento mais você...".

Um novo fôlego...

Eu sinceramente pensei em assassinar esse blog. Confesso que durante a semana de provas pensei estar perdendo meu tempo já que aparentemente nunca ninguém descobriria esse humilde endereço ou leria alguma coisa.
Nem entrei mais aqui já faz um tempo... maaaaas... foi uma grande surpresa saber que alguém havia não apneas lido o que eu escrevi, mas também comentado.
Valeu anônimo! Graças a você vou permanecer escrevendo algo sempre que possível.
Se você lembrar, espalhe a notícia de que o blog existe com alguém..rs..

Valeu!

26 de outubro de 2011

Quetão de simpatia

Como na UFABC não temos turmas, acabamos conhecendo dezenas de pessoas de "vista", outras dezenas viram nossos colegas e alguns poucos conhecemos de verdade.
O lado bom é que ninguém tem problemas de popularidade. por onde quer que você passe sempre vai ter alguém conhecido para te acenar e dar um oi.Outro lado bom é que depois de uma certa quantidade de quadrimestres vai ficando cada vez mais difícil de você cair numa sala em que não conheça absolutamente ninguém.
Agora, a minha grande dificuldade com tudo isso é saber quem eu conheço, de onde e porque. Várias vezes eu estou andando no corredor e percebo que vou cruzar com alguém de cara familiar e então penso: "devo dizer oi?", "um aceno com a cabeça já basta?", "eu conheço mesmo essa pessoa?", "será que já falei com eal ou apenas a vi em alguma classe?". Eu nunca sei se já sou "íntima" o suficiente para cumprimentar a pessoa de verdade, ou se ela me acha desconhecida o suficiente para passar reto sem dizer nada.
Eu já cumprimentei pessoas que me ignoraram com cara de "quem é essa doida?", já passei reto por pessoas que eu acho que deveria ter cumprimentado.
uma vez entrei no 1º dia de aula de FeMec e escolhi um lugar na parede. Um garoto no meio da sala acenou para mim. Eu não fazia ideia de quem fosse e aquilo em pegou tão  desprevenida que eu não respondi e olhei pro lado pra ver se era comigo mesmo. óbvio que ele nunca mais falou ou acenou para mim. Passei aquela aula inteira pensando quem era aquele garoto e só então me dei conta de que ele estava no meu grupo de Lab quando fiz FeMec a primeira vez um ano antes. Que brexa.
Acho então que a solução na UFABC é cumprimentar a todos. Se você não conhece a pessoa não faz mal, pelo menos ela se sentirá cumprimentada. Melhor me passar por doida que por antipática.

Glossário:
FeMec: Newton levado ao extremo.
Lab: Aulas práticas de Laboratório.
Lab de FeMec = bater carrinhos de várias maneiras